Bunker Roy: Aprendendo com um movimento de pés-descalços

Desculpem, mas não resisti a roubar esta do Marco Santos no seu Blog:

Se até lá não nos virmos, um feliz natal e já agora um o(p)timo ano de 2012 para todos os meus amigos…

Se até lá não nos virmos, feliz Natal

Construir o futuro agora…

Posted: 2011/12/22 in Diversos

A minha última visita ao Dragão

A nossa sociedade não valoriza a dor de quem perde um filho antes do seu nascimento. Não se percebe porquê. Talvez porque necessitem de ter algo mais palpável, será isso?

É quase um paradoxo uma mulher gerar, mas não dar à luz. Algumas mulheres falam em colapso de uma ilusão, desmoronar de um ciclo ou a morte da liberdade da alma. É o outro lado da gravidez, o fantasma da maternidade – O Aborto. Maria Manuela Pontes, autora do livro: “Pacto de Silêncio – Maternidades fugazes” questiona se estaremos preparados para a morte antes do nascimento? Ou se a sociedade civil está consciente da fugacidade que a maternidade pode adquirir?  (Pontes, 2008).

As mulheres crescem a acreditar que geram filhos. Ninguém quer falar em morte antes do nascimento. Num processo de criação de um conjunto de expectativas, de projectos futuros que muitas vezes acaba numa enorme solidão, com a perda do bebé. Tudo isto impede que as mulheres estabeleçam um equilíbrio emocional para abordar o assunto. É urgente existir apoio psicológico especializado para estas situações em contexto hospitalar. As maternidades dos hospitais ainda estão muito centradas no nascimento de bebés vivos e saudáveis e quando algo corre mal, nota-se alguma impreparação para lidar com o assunto. E se a mulher pretende um estudo sobre o que se passou para ter perdido o bebé, a resposta em pleno séc. XXI é: O protocolo hospitalar diz que uma mulher tem de perder três filhos para se estudar geneticamente o que se passou com ela.

Por outro lado, os amigos e os familiares também não percebem como reagir a estas situações bem diferentes de outro tipo de óbito. Por vezes dizem para que se esqueça, que ainda são novas, que pode haver outros bebés…

Enquanto isso, a mulher pensa que voltando a engravidar estará a colmatar o vazio, a solidão, provocada pela perda anterior entrando numa “corrida” desenfreada rumo a uma nova gravidez, envolta em novos medos e angustias geradas pelo que aconteceu antes, pensando apenas nas questões físicas (normalmente resolvidas após 3 meses) mas esquecendo as questões psicológicas, porque não lhe são comunicadas.

Tudo isto afecta em última análise a família, e se não existir comunicação e partilha da dor entre o casal, a mulher pode constantemente ser assaltada pelo pensamento de culpa e de abandono do marido por achar que este terá direito a ter um filho, algo que ela não consegue dar-lhe. Muitos destes casos acabam numa forte depressão, fobias ou patologias de ansiedade.

Manuela Pontes falou na TSF sobre a sua experiência, vale à pena ouvir no link em baixo!

http://www.tsf.pt/Programas/programa.aspx?content_id=1016877&audio_id=1824136

João Carlos  Mota

 

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Português que fez uma viagem de auto-conhecimento freudiana pelo Eu apanhou 12 portagens pagas pelo caminho

Bloco de Esquerda lança outdoor com soundbite: “Puto, a troika é uma cena que a nós não nos assiste”

 

Hoje as crianças precisam de tempo para brincar. A sociedade tem de devolver às crianças o tempo de que elas precisam para brincar. A afirmação é da investigadora Maria José Araújo (Centro de Investigação e Intervenção Educativas da Universidade do Porto), autora do livro “Crianças Ocupadas”.

Segundo esta autora as crianças entre os 6 e os 12 anos «trabalham hoje para e na escola, no seu ofício de alunas, cerca de oito a nove horas diárias, ou seja, cerca de 40 a 45 horas semanais».

Sobre as actividades extra-curriculares, ela diz:  «Essas actividades podiam ser brincar, mas são sempre em função da escola».

Isto é tragico e remete-nos para um texto de Chateau que diz mais ou menos isto:

E se de repente, as nossas crianças parassem de brincar, se os pátios das nossas escolas ficassem silenciosos; Se não fossemos mais distraídos pelos gritos ou choros que vêm do jardim ou do pátio; Se não tivessemos mais perto de nós este mundo infantil que faz a nossa alegria e as nossas dores de cabeça.

E ao invés… tivessemos:

Um mundo triste de pigmeus desajeitados e silenciosos, sem inteligência e sem alma. Pigmeus que poderiam crescer, mas que conservariam por toda a sua existência a mentalidade de pigmeus, de seres primitivos.

É perto do jogo, pela brincadeira que crescem a alma e a inteligência. É pela tranquilidade, pelo silêncio – pelos quais às vezes os pais se alegram erroneamente – que se enunciam frequentemente na criança as graves deficiências mentais.

João Carlos Mota

“A lógica do Consumo (2009)” – Um livro de Martin Lindstrom em que o autor fala no conceito de neurónios espelho e a sua aplicação no comportamento do consumidor.

O autor refere que o neurónio espelho é o que actua quando um animal realiza uma determinada acção, como quando observa outro animal (normalmente da mesma espécie) a fazer a mesma acção. Assim, o neurónio imita o comportamento de outro animal como se estivesse ele próprio a realizar essa acção. Através de muitas pesquisas, o autor comprovou que eles existem no cérebro humano e funcionam da mesma forma que nos animais.

Com certeza já se perguntou qual a razão que faz com que quando a sua equipa faz um golo, levante os braços?  Porque quando a sua equipa manda a bola para fora você tem tendência a encolher-se? Ou então quando está no cinema e o personagem começa a chorar, nos seus olhos caiem também algumas lágrimas? Pois bem… Atribua isso aos neurónios espelho. No fundo, é como se ver e fazer fossem exactamente a mesma coisa.

Eles também são o motivo pelo qual imitamos involuntariamente o comportamento de outras pessoas. Quando as pessoas sussurram a tendência é baixarmos o tom de voz, outro exemplo é o bocejo quando vemos alguém a bocejar imediatamente também bocejamos.

Os neurónios espelho além de nos ajudarem a imitar as outras pessoas, fazem com que imitemos também o comportamento de consumo dos outros. As mulheres gostam muito de observar os manequins nas vitrines e muitas vezes imaginam-se dentro daquele vestido, usando aquele lenço, aqueles óculos escuros. Pensam como podem melhorar a sua imagem comprando tais produtos. Pelo menos é isso o que o seu cérebro diz, estando consciente ou não. Sem perceber, uma mulher entra na loja, passa o seu cartão de crédito e sai com o vestido, o lenço e os óculos escuros.

Neste trailer do filme “Os delírios de consumo de Becky Bloom” é fácil visualizar como este processo acontece:

Lembra-se de algum produto que rejeitou e começou a usar? De repente passou do “aquilo é feio” para “eu preciso agora”.

É assim que os neurónios espelho afetam o comportamento do consumidor. Eles não funcionam sozinhos, agem em conjunto com a dopamina, substância ligada ao prazer. Esta substância é uma das mais viciantes e as decisões de compra são motivadas em parte pelos seus efeitos sedutores. Através da dopamina conseguimos entender as compras por impulso – muitas vezes compramos e não usamos o produto ou nos questionamos porque compramos algo sem utilidade. Isso acontece, simplesmente para nos sentirmos felizes, pois a dopamina inunda o cérebro de prazer e bem-estar na hora da decisão da compra.

Quando compramos as nossas marcas preferidas o nível de dopamina é altamente elevado. Sentimo-nos poderosos e levamos na sacola um pouco da personalidade daquela marca. Esse é o ciclo do consumo. Todos nós precisamos de momentos de satisfação, alegria e prazer. Compensamos muito das nossas frustrações nas escolhas de compra. De certa forma o consumo emociona e empolga. E é isto que motiva as pessoas para a compra.

João Carlos Mota

(Adap. de Bárbara Dresch)

Numa altura em que as associações culturais, recreativas e desportivas atravessam – também elas – uma crise generalizada, caracterizada, sobretudo por falta de pessoas capazes de as manterem, importa salientar a importância que este tipo de estruturas poderia ter hoje na nossa sociedade.

Este tipo de associações não-governamentais, recreativas, culturais, desportivas, de utilidade pública, podia ter um papel importante no contexto actual da vida de todos nós, se não vejamos: Por definição, uma associação “é um conjunto de pessoas que se reúnem com um objectivo comum”. Apesar de se perceber, que na maioria dos casos, os objectivos são afinal meramente individuais e as associações não passam – muitas vezes – de plataformas de promoção pessoal ou corporativa, sou dos que continua a acreditar que o movimento associativo é, ainda hoje, uma forma de “abanar” a sociedade, de gerar opinião, de criar massa crítica. Enfim, criar um movimento de reunião generalizado.

Participo no movimento associativo desde os 18 anos, e hoje percebo que, devido a várias situações, grande parte das associações surgidas nos últimos 15 a 20 anos, se vai transformando num fardo ao fim de 1 a 2 mandatos. O que daqui importa referir é que, a ideia inicial, por muito louvável ou atractiva, não consegue dinamizar os corpos para a sua continuidade.

Parecem não existir estatísticas exactas sobre o número de associações culturais, ambientais, desportivas, recreativas, etc., no nosso país. Contudo, uma pequena freguesia do concelho de Alcobaça que conhecemos bem – Alfeizerão – tem diversas daquelas associações. Muitas delas estão a fechar outras sobrevivem com enormes carências, com infra-estruturas obsoletas que colocam em risco quem as frequenta diariamente.

É preciso fazer algo! – Apesar da quotização, é impossível que todas estas colectividades levem por diante os seus objectivos apenas com base no dinheiro que recebem dos seus associados. Em muitos casos, solicita-se à Câmara Municipal uma ajuda monetária, “exigindo-lhe” um donativo anual que possa colmatar a diminuta contribuição dos associados! – Ora isto parece-me um contra-senso, até porque em alguns casos estas associações pouco ou nada fizeram para receber este donativo.

Competiria às entidades Camarárias criarem infra-estruturas centralizadas de apoio, em locais, também centralizados, que pudessem fazer convergir até eles todos os que até agora frequentam estas associações. Estou a falar de um movimento associativo generalizado, congruente, mais rentável para todos.

Coloca-se então a questão: “O que fazer a estas estruturas designadas de associações?” – Em minha opinião passaria sempre por uma “reciclagem”, uma alteração na sua concepção. Faria mais sentido, por exemplo, numa altura em que população está cada vez mais envelhecida, adaptarem-se locais como estes para ajudar os que mais necessitam. Locais que possibilitariam às pessoas idosas continuarem a viver na sua terra, ao invés de – por exemplo, no final da sua vida – irem para um lar num local distante, fazendo com que elas “morram pior”, infelizes e mais depressa.

Estamos a viver uma época em que cada um de nós pode contribuir para melhorar a sociedade em que vive. Por isso, parece-me mais importante que estas colectividades alertem e “eduquem” os seus associados e as comunidades que representam que, apesar do dinheiro da Câmara ou o dinheiro das quotas ser importante e muito embora a sua insuficiência, as atitudes, os gestos e as actividades geradas através do tempo que cada um de nós pode doar, podem ser tão ou mais importantes do que a soma de todos aqueles capitais. – Vale a pena pensarmos nisto…

João Carlos Mota