O Mecânismo de Protecção de Coelheiras

Posted: 2011/02/20 in Gentes, Histórias e Curiosidades

Éh rapaziada valente ….
Tenho-me divertido imenso com “a minha Maria” Orlanda a ler as vossas crónicas repletas de belas recordações relacionadas com Vale de Maceira, a minha terra de adopção.
Apesar do pouco contacto que tive no inicio, pois fui morar para Vale de Maceira quando casei em Dezembro de 1971, mas saí logo em Agosto de 1973 tendo como destino Montreal  no  Canadá.
Em boa verdade eu não conhecia ninguém em Vale de Maceira.
Para me ajudar a integrar o ambiente da malta, tive a preciosa colaboração do saudoso  Zé Albino “Faca Lisa”
Um dia (estávamos em 1972) ele convidou-me para uma petiscada tendo como menu principal coelho guisado.
Não me recordo do local exacto, se era um barracão ou palheiro, mas quando chegámos a mesa estava quase posta, e fui muito bem recebido pela malta que estava lá.
Lamento recordar-me apenas do nome de duas pessoas que estavam presentes além do Zé Albino, claro: o Rui Pata Larga e o Zé Vivaldo.
O petisco estava muito bom, comemos e bebemos bem.
Entre as várias conversas abordadas ali, fomos informados (depois de comer, claro) que os coelhos tinham sido roubados a alguém que estava presente.
O nome não foi divulgado, “a vítima” só saberia depois de verificar em casa, se lhe faltavam alguns “bicharocos”.
Eu também tinha coelhos, mas era a minha sogra (Deomária) que se ocupava deles.
Quando cheguei a casa fui verificar e não me faltava nenhum.
No entanto fiquei desconfiado, que possivelmente também estaria na lista para um próximo “assalto”.
Comecei logo a imaginar um método para impedir essa manobra.
Sempre fui “meio-engenhocas” e meti mãos à obra !
Fiz uma outra porta na coelheira que ficava mais avançada do que a existente.
Entre as duas portas havia um buraco para meter a mão e poder levantar a “tramela” para que a porta dupla pudesse abrir.
Entre as duas portas, bem disfarçado instalei um mecanismo que funcionava como uma algema.
Esse mecanismo era feito com uma célula foto-eléctrica, e uma pequena lâmpada néon que emitia um fraco  fluxo luminoso para a célula.
Ao meter a mão no tal buraco, interrompia a luz e a célula accionava uma bobina que por sua vez libertava a meia lua da algema que era puxada por uma mola, apertando o pulso.
Para libertar era preciso puxar por uma cavilha e as duas portas saíam tornando visível o mecanismo.
Para alimentar o circuito, disfarcei um fio que era ligado a uma tomada que estava no palheiro.
Claro que esta “brincadeira” só era ligada à noite e eu tinha o cuidado de todas as manhãs desligar a ficha da tomada, antes de ir para o trabalho.
Aconteceu que certa manhã, saí de casa e esqueci-me de desligar aquela “porcaria”
A Deomária como de costume foi dar comer aos bicharocos !
Quando ela meteu a mão para abrir a “tramela”, zás, ficou com a mão presa.
Eu tinha informado sobre o sistema, mas não indiquei como libertar a mão.
Depois de ela gritar várias vezes, “a minha Maria” tentou ajudar, mas sem sucesso.
Como se devem de lembrar naquela altura o sistema de comunicações era arcaico.

CoelhosEu não tinha telefone em casa, então ela foi ao Zeca telefonar para a Seol pedindo para entrarem em comunicação comigo.
Mesmo na Seol, os telefones eram um atraso de vida, mas eu lá fui informado da situação.
Por sorte nesse dia eu estava escalado para trabalhos na Marinha Grande, portanto foi fácil passar por casa, e tirar a Deomária daquela situação.

Como ela tem os braços bem gordos, a algema deixou marcas no pulso, porque a mola era forte.
A língua do Zeca era um autentico chocalho, e ele sabia bem guardar segredos, portanto esta notícia não chegou ao Algarve, mas todo o Distrito de Leiria ficou ao corrente da situação.
Nunca cheguei a saber se este episódio teve influência, mas a verdade é que nunca  desapareceram coelhos lá do quintal.

Faustino Rosário

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